LAURA MEDIOLI

Ah, essas mulheres!!!

Ah, essas mulheres!!!, por Laura Medioli

Por Laura Medioli

Publicado em 01 de abril de 2025 | 13:15

 
 
"Colocava sob a calça jeans uma meia grossíssima de lã, para ver se a perna engrossava um pouco."
"Colocava sob a calça jeans uma meia grossíssima de lã, para ver se a perna engrossava um pouco." Foto: Acir Galvão
Laura Medioli
Colunista de Opinião
Colunista de Opinião
aspas

Uma amiga me liga; quer saber minha opinião sobre a cirurgia de redução de estômago. Conhecendo-a há tantos anos e sabendo da sua dificuldade para emagrecer e levantar a autoestima, apoio.

E lembro-me de quando era adolescente, com meus 38 kg, louquinha pra parecer gente, ou melhor, mulher. Colocava sob a calça jeans uma meia grossíssima de lã, para ver se a perna engrossava um pouco. Quase morria de tanto calor, mas e daí? Na minha cabeça, era preferível torrar do que desfilar com minhas pernas finas num jeans justo e desbotado.

E me impressiono com as adolescentes de hoje, que, ao contrário de mim na idade delas, param de comer para ficarem magérrimas. Quem é que entende?

Mas nós, mulheres, somos assim, as que têm cabelos anelados querem tê-los lisos, as que têm lisos os querem anelados. A loirinha se derrete no sol para pegar uma cor, a morena sonha com cabelos e tez claras; uma consegue enxergar celulite até nos dedos do pé, outra, não satisfeita com o que a natureza lhe deu, taca logo 250 mL onde não carece de 10 mL. Fora aquela que passa horas no espelho repetindo o mantra: tô gorda!!! E, angustiada com a situação, ataca a geladeira.

Quando jovem, mesmo sem vontade, empurrava comida: banana com mel, mingau de maizena, broas de fubá... Alguma coisa tinha que surtir efeito, algumas calorias a mais, pelo amoooor de Deus! Pelo menos que me fizessem chegar aos 40 kg. E nada; cresci e me casei pesando 39 kg. Como diriam os convidados, estava mais para debutante do que para noiva. Fazer o quê? Engordar, né?

E foi o que fiz durante a gravidez. No início olhava para o espelho me achando. Finalmente as pernas e o bumbum que pedi a Deus! Só que depois o negócio foi extrapolando e rapidamente tive que segurar as rédeas.

Descobri que, com o passar dos anos, engordamos, comendo ou não. O metabolismo diminui, o pique é outro, os hormônios passam a ditar as regras. E nessas horas todo cuidado é pouco. Sem neuras, claro! 

De vez em quando, chuto o balde e me empanturro de chocolate. E que se danem os hormônios, que também ninguém é de ferro. O negócio é ter equilíbrio. Hoje não preciso de meias de lã sob a calça, na verdade me preocupo é quando a calça começa a apertar. Felizmente puxei a conformação física de minha mãe e assim posso me dar ao luxo de extrapolar de vez em quando. Repito: de vez em quando. 

Mas, voltando às eternas insatisfações femininas, divirto-me ao me lembrar da história de outra amiga que, após o terceiro filho (vindo meio sem querer), resolveu dar uma “levantada de moral”, que, segundo ela, após três gestações e seguidas amamentações, foi parar no umbigo. Seguindo a recomendação de sua ginecologista, marcou consulta com renomado cirurgião. Com três crianças pequenas, sem tempo para se cuidar e com a lei da gravidade batendo de goleada, lá se foi em busca da tal e tão necessária “levantada”.

O susto começou na sala de espera quando, de repente, um homem lindo e cheio de charme, vestido de branco, atravessou o recinto com um cordial “bom dia”.

– Epa! Será que é esse o...

Foi logo se levantando da cadeira e perguntando à secretária:

– Por acaso esse aí é o doutor...?

Era. Para o seu desespero, o próprio.

Quer matar a sua médica. Por que ela não lhe avisou antes que o sujeito era um deus grego? Como é que ela iria tirar a blusa para um homem daquele? Com as coisas lá no umbigo? Que nem índia velha? Sem chance.

Quer desistir da consulta quando é chamada pela secretária.

E ali, sentada à mesa defronte ao deus, tem vontade de sair correndo. Até que ele, educadamente, lhe pergunta:

– Pois bem, o que a trouxe aqui?

E ela, num lampejo de sabedoria, responde:

– O nariz, doutor. Eu odeeeeeeio o meu nariz!

Mulheres! Ah! Essas mulheres!!!